Saldo da decepção: Quem brilhou e quem ficou devendo no fiasco do Brasil na Copa 2026
Eliminada precocemente pela Noruega, Seleção Brasileira encerra ciclo com queda nas oitavas e rendimento individual abaixo do esperado para seus principais astros.
A eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 marca o que muitos especialistas já chamam de 'o pior momento da história da Seleção Brasileira'. Em um torneio onde se esperava a redenção após 24 anos de jejum, o Brasil de Carlo Ancelotti sucumbiu à falta de repertório e ao condicionamento físico deficitário de suas principais estrelas. O Nexa Esportes traz o balanço de quem conseguiu se salvar do naufrágio em Nova Jersey e quem carregará o peso da decepção para o próximo ciclo.
As decepções: Estrelas apagadas e apostas falhas
O nome de maior impacto na lista de negativos é, inevitavelmente, Neymar. O camisa 10 chegou ao torneio longe das condições físicas ideais e sua participação foi melancólica. Estreou apenas no terceiro jogo e, na decisão contra o Japão na fase anterior, sequer saiu do banco. Contra a Noruega, em seus derradeiros 34 minutos, foi mais notado pelas discussões e pelo cartão amarelo do que pelo futebol, apesar do gol de pênalti nos acréscimos.
Outro que não justificou o status foi Raphinha. O atacante, peça-chave no ciclo, sofreu com lesões e entregou um desempenho muito aquém do esperado antes de se tornar desfalque médico nas oitavas. No setor de meio-campo, Casemiro também viveu dias difíceis. O volante, símbolo de segurança em anos anteriores, teve uma estreia nervosa com cartão amarelo precoce e, embora tenha marcado contra o Japão, não conseguiu dar o equilíbrio necessário à transição defensiva brasileira.
No ataque, a maior frustração recai sobre Endrick. A joia, que entrou sob forte clamor da torcida, teve chances claras — especialmente contra a Noruega, cara a cara com o goleiro —, mas demonstrou ansiedade e falta de pontaria, saindo da Copa devendo o protagonismo que muitos esperavam.
As raras boas notícias: Vini Jr e Matheus Cunha
Se o coletivo falhou, Vinícius Júnior tentou carregar o piano. O atacante assumiu o protagonismo, resolvendo o jogo travado contra o Marrocos e balançando as redes contra Haiti e Escócia. Mesmo mais vigiado contra a Noruega, foi dele o passe que deixou Endrick em condições de marcar. Ao seu lado, Matheus Cunha foi a surpresa positiva. Começou no banco, mas assumiu a camisa 9 com autoridade, marcando três gols e sendo fundamental no recuo para a armação de jogadas.
No sistema defensivo, Douglas Santos superou a concorrência de Alex Sandro e entregou solidez, enquanto o jovem Savinho trouxe personalidade e vigor físico ao substituir Raphinha. No meio, Bruno Guimarães foi o motor do time com quatro assistências, e mesmo o pênalti perdido na eliminação não apaga o fato de que ele se consolidou como o novo pilar da Seleção.
O peso das decisões de Carlo Ancelotti
O técnico italiano também sai arranhado do mundial norte-americano. As escolhas iniciais, como as apostas em Ibáñez e Igor Thiago, que sumiram das convocações após a estreia, sugeriram uma falta de convicção no planejamento. Ancelotti não conseguiu encontrar soluções ofensivas contra blocos baixos e viu o time ficar exposto defensivamente nas substituições feitas contra a Noruega. O Brasil jogou de forma reativa, dependendo de transições que raramente funcionaram contra as seleções europeias mais organizadas.
Conclusão: O fim de uma era?
A despedida precoce deixa um gosto amargo e a sensação de que o talento individual já não basta para o Brasil competir no topo. Com Neymar em fim de ciclo e novas lideranças como Vini Jr e Bruno Guimarães pedindo passagem, a CBF terá que repensar o projeto para 2030. O saldo final é de uma equipe que, entre desfalques e escolhas táticas questionáveis, jogou pouco e se despediu cedo demais de um sonho que já dura quase três décadas.
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